
O jornal "O Globo", publicação de maior circulação no país desde 2021, lançou na terça-feira (19) um editorial em que defende a conclusão das obras de Angra 3. No texto, além de anunciar que a decisão será tomada até dezembro, são mencionados os argumentos favoráveis e desfavoráveis ao empreendimento, inclusive rebatendo os dois argumentos contrários mais comuns.
O editorial é um texto que expressa a opinião das publicações, sejam elas jornais ou revistas. É onde normalmente o veículo se posiciona enquanto empresa. Por ser um espaço independente, as ideias defendidas ali representam o pensamento da empresa em relação a algum tema relevante do momento. No caso do artigo de terça-feira, a posição já fica clara no título, que diz que “Concluir obras de Angra 3 seria a decisão mais sensata para o país”.
Além de estar às vésperas da reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que vai definir o futuro das obras, o artigo sai em um momento de aproximação entre o jornal e a Eletronuclear. Seu presidente, Raul Lycurgo Leite, concedeu recentemente uma entrevista ao jornal argumentando sobre a importância de Angra 3. Alguns dos argumentos usados no editorial, inclusive, se assemelham aos apresentados por Leite para continuar a execução da obra.
No editorial, “O Globo” destaca a necessidade de a análise do Governo Federal ser feita “sem preconceitos, considerando a necessidade da transição energética imposta pelas mudanças climáticas e os custos financeiros do projeto”. Além de dar um panorama do mercado mundial, em que a energia nuclear está em crescimento por ser uma alternativa “firme e limpa para complementar a produção crescente de fontes intermitentes”, o artigo rebate as duas principais críticas à energia nuclear: a falta de segurança – já que muitos países operam há anos sem qualquer tipo de incidentes – e seu alto custo, já que o custo para manter a obra parada ou desistir dela é próximo do de continuar a obra.
“Como parada ela já consome uma fortuna, não dá mais para adiar uma decisão. Se o governo dispuser de R$ 30 bilhões para investir, a usina produzirá a energia prometida e poderá pagar quanto foi despendido nela até agora”, conclui o texto.